quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Queda 'maior que prevista' no preço dos alimentos explica inflação abaixo da meta em 2017, diz BC

presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, publicou nesta quarta-feira (10) carta aberta encaminhada ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na qual explica que a inflação ficou abaixo do piso de 3% do sistema de metas em 2017 por conta da deflação de preços de alimentação no domicílio.
"Em 2017, a reversão da inflação nos preços dos alimentos no domicílio foi maior do que o previsto, tanto pelo Copom quanto pelos analistas do mercado", informou o presidente do BC, no documento. Essa foi a primeira vez que a inflação ficou abaixo do piso do sistema de metas.
Veja a variação de preços
Em 2017, em %
-1,87-1,876,266,26-1,48-1,482,882,884,14,16,526,524,394,397,117,111,761,76Alimentação e BebidasHabitaçãoArtigos de ResidênciaVestuárioTransportesSaúde e Cuidados PessoaisDespesas PessoaisEducaçãoComunicação0-2,52,557,510
Fonte: IBGE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quarta-feira (10) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, fechou 2017 em 2,95%. Com isso, a inflação ficou abaixo do piso de 3% do sistema brasileiro de metas de inflação.
  1. O Banco Central tem que perseguir uma meta para o resultado da inflação que é definida todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
  2. Para o ano passado, havia uma meta central de 4,5%.
  3. Entretanto, a regra prevê um intervalo de tolerância, de 1,5 ponto percentual, tanto para cima quanto para baixo.
  4. Isso significa que a meta seria cumprida pelo BC se o IPCA ficasse entre 3% e 6%.
De acordo com a autoridade monetária, a inflação do subgrupo alimentação no domicílio encerrou 2017 com deflação (retração de preços) de 4,85%, a maior da série histórica do IPCA, que começa em 1989, e a primeira nesses itens desde 2006.
"Em vista desse comportamento excepcional dos preços dos alimentos no domicílio, decorrentes de choques fora do alcance da política monetária (como a oferta recorde de produtos agrícolas), o Banco Central do Brasil seguiu os bons princípios no gerenciamento da política monetária e não reagiu ao impacto primário do choque", informou o BC.
Segundo a instituição, "não cabe inflacionar os preços da economia sobre os quais a política monetária tem mais controle para compensar choques nos preços dos alimentos".
"A política monetária deve combater o impacto dos choques noutros preços da economia (os chamados efeitos secundários) de modo a buscar a convergência da inflação para a meta", acrescentou.
O Banco Central informou ainda que tem "calibrado" (nivelado) a taxa básica de juros da economia, atualmente na mínima histórica de 7% ao ano, e acrescentou que continuará a fazê-lo "com vistas ao cumprimento das metas para a inflação estabelecidas pelo CMN".
"A inflação já se encontra em trajetória em direção à meta em 2018. No acumulado em doze meses, a inflação ao final de 2017 aumentou 0,49 pontos percentuais em relação ao mínimo de 2,46% observado em agosto do mesmo ano", informou, lembrando que a sua última estimativa para o IPCA deste ano é de 4,2%, valor próximo à meta central de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional.

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